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Cannabis e saúde da mulher: dor pélvica, menopausa e cuidados

Equipe IFPB

Mulheres representam a maioria das pessoas que buscam tratamento com cannabis medicinal no Brasil, e dois dos principais motivos são a dor pélvica crônica, incluindo endometriose, e os sintomas da menopausa. Os dados disponíveis até o momento são, em grande parte, observacionais: pesquisas com pacientes que relatam sua própria experiência, registros clínicos e coortes. Ensaios clínicos controlados ainda são escassos. Por isso, toda decisão deve ser tomada junto com um médico ou ginecologista.

Por que esse tema importa tanto para as mulheres

Nos consultórios e nas associações de cannabis medicinal, um dado chama atenção: a maioria das pessoas que buscam esse tipo de tratamento é do sexo feminino. Dor pélvica crônica, endometriose, dismenorreia (cólica intensa) e sintomas da menopausa figuram entre as queixas mais frequentes.

Não é por acaso. São condições que afetam de forma significativa a qualidade de vida: o sono, o humor, a capacidade de trabalhar e de se relacionar. Muitas pacientes chegam às associações depois de anos tentando diferentes tratamentos convencionais sem alívio suficiente.

O interesse científico no tema acompanha essa demanda. Mas o que a pesquisa realmente mostra?

O que os estudos dizem sobre dor pélvica e endometriose

Uma revisão publicada na revista Drugs em 2023, conduzida por Sinclair e colaboradores, reuniu os dados disponíveis sobre canabinoides em dores ginecológicas: endometriose, dor pélvica crônica e dismenorreia (DOI: 10.1007/s40265-023-01951-z).

A conclusão foi clara quanto ao estado da evidência: faltam ensaios clínicos robustos. Os estudos existentes são, em sua maioria, observacionais, como surveys, registros de pacientes e coortes. Eles têm valor real, mas não permitem afirmar com segurança que a cannabis causa a melhora observada.

Dentro desse limite, os achados são informativos: muitas pacientes relataram redução da dor pélvica e melhora de sintomas associados, como ansiedade, depressão e sono ruim. Parte delas também relatou reduzir o uso de analgésicos. Os autores ressaltam, no entanto, que a supervisão médica é indispensável, já que os efeitos colaterais existem e podem se confundir com outros quadros clínicos.

Menopausa: muito interesse, pouca certeza

Os sintomas da menopausa, como fogachos, alterações de humor, dificuldade para dormir e ressecamento vaginal, também aparecem com frequência nas buscas por tratamentos complementares com cannabis.

Uma diretriz publicada no Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada em 2022, por Robert e colaboradores, abordou exatamente esse contexto (DOI: 10.1016/j.jogc.2022.01.012). O documento recomenda que médicos e pacientes mantenham um diálogo aberto e sem estigma sobre o uso de cannabis ao longo da vida da mulher.

Ao mesmo tempo, a diretriz é honesta: os efeitos colaterais dos canabinoides podem se confundir com sintomas da própria menopausa, o que dificulta a avaliação. E os estudos específicos para essa fase da vida ainda são limitados. O uso, quando considerado, deve ser individualizado e acompanhado.

Um alerta importante: gestação, amamentação e fertilidade

Este ponto merece atenção especial, e a diretriz de Robert e colaboradores trata dele com clareza: a cannabis deve ser evitada durante a gravidez, a amamentação e por mulheres que estejam tentando engravidar.

Os canabinoides atravessam a placenta e chegam ao leite materno, podendo afetar o desenvolvimento fetal e do recém-nascido. Além disso, há evidências de que o uso regular pode interferir na regulação hormonal e na fertilidade, tanto na ovulação quanto na qualidade do ciclo menstrual.

Não existe dose considerada segura nesses contextos. Se você está planejando uma gravidez, está grávida ou está amamentando, converse com seu ginecologista antes de qualquer decisão, inclusive sobre interromper um uso já existente de forma gradual e supervisionada.

A decisão é sua, mas não precisa ser solitária

Uma das mensagens mais importantes tanto da revisão de Sinclair quanto da diretriz de Robert é esta: o diálogo entre paciente e médico deve ser aberto, sem julgamento.

Muitas mulheres chegam às consultas com vergonha ou receio de falar sobre o interesse na cannabis medicinal. Isso atrasa diagnósticos e decisões adequadas. A ANVISA regulamenta o acesso a produtos à base de cannabis no Brasil (acesse o portal da ANVISA), e o tratamento, quando indicado, deve seguir uma prescrição médica.

Cada caso é diferente. O perfil de canabinoides, a dose, a forma de uso e a condição de saúde de cada pessoa exigem avaliação individual. Não existe fórmula pronta.

Como o IFPB pode ajudar

No IFPB, atuamos como associação sem fins lucrativos voltada ao acesso responsável à cannabis medicinal em Niterói e região. Nosso papel é oferecer suporte, informação e acompanhamento, sempre em parceria com profissionais de saúde habilitados.

Se você quer entender melhor como funciona esse processo, veja como funciona. E se tiver dúvidas ou quiser conversar com a nossa equipe, fale conosco.


Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta com médico ou ginecologista. O uso de cannabis medicinal no Brasil exige prescrição médica e deve seguir as normas da ANVISA. A cannabis é contraindicada durante a gestação, a amamentação e para quem está tentando engravidar.