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Cannabis e autismo (TEA): o que dizem os estudos

Equipe IFPB

Famílias que cuidam de crianças com TEA costumam chegar ao CBD depois de já ter tentado muitas outras abordagens. Dois ensaios clínicos randomizados publicados entre 2021 e 2022 mostram sinais promissores para sintomas como agitação e ansiedade, mas os resultados são mistos: o estudo maior não alcançou significância estatística nos desfechos primários. A evidência é inicial, não definitiva. Por se tratar de um público pediátrico, qualquer uso requer acompanhamento médico especializado e uma análise cuidadosa dos riscos e benefícios para cada criança.

O que é o TEA e por que famílias buscam alternativas

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação social e os padrões de comportamento de formas muito variadas. Não se trata de uma doença a ser "curada": muitas crianças e adolescentes com TEA convivem, isso sim, com sintomas que prejudicam bastante a qualidade de vida delas e de toda a família.

Ansiedade intensa, episódios de agitação psicomotora, comportamentos repetitivos e dificuldades para dormir são alguns exemplos. Quando os tratamentos convencionais não são suficientes, muitas famílias começam a pesquisar alternativas, e o CBD aparece com frequência nessa busca.

O que os estudos clínicos mostram até agora

Dois ensaios clínicos randomizados publicados nos últimos anos oferecem os dados mais robustos disponíveis sobre o tema.

O primeiro é brasileiro. Silva e colaboradores conduziram um estudo com 60 crianças de 5 a 11 anos e publicaram os resultados em 2022 na revista Trends in Psychiatry and Psychotherapy. Um extrato rico em CBD foi comparado ao placebo ao longo de vários meses, e o grupo que recebeu o extrato apresentou melhora significativa na interação social, na ansiedade e na agitação psicomotora. Os efeitos adversos foram poucos e geralmente leves: tontura, insônia, cólica e ganho de peso foram reportados em cerca de 10% dos participantes (DOI: 10.47626/2237-6089-2021-0396).

O segundo estudo, de Aran e colaboradores, foi publicado em 2021 na Molecular Autism e envolveu 150 participantes entre 5 e 21 anos. Os resultados foram mais mistos: houve melhora em comportamento disruptivo (49% dos participantes responderam no grupo CBD, contra 21% no placebo) e na escala de responsividade social, mas os desfechos primários do estudo não mostraram diferença estatisticamente significativa entre os grupos. O tratamento foi bem tolerado, com sonolência e queda de apetite como efeitos mais comuns, e os próprios autores concluem que mais estudos são necessários antes de recomendações mais amplas (DOI: 10.1186/s13229-021-00420-2).

O que esses resultados significam na prática

Os dois estudos trazem um sinal: em parte das crianças, o CBD pode ajudar com sintomas específicos como agitação e ansiedade, que frequentemente acompanham o TEA. Isso é diferente de dizer que o CBD "trata o autismo" — o TEA em si não é um alvo terapêutico nesses estudos, o foco são os sintomas associados que afetam a qualidade de vida.

Os resultados mistos do estudo maior mostram que o efeito não é garantido nem uniforme. Algumas crianças melhoram, outras não apresentam diferença em relação ao placebo. Por isso cada caso precisa ser avaliado individualmente, por um médico com experiência em neurodesenvolvimento e no uso de derivados da cannabis.

Cuidados especiais por se tratar de um público pediátrico

O cérebro em desenvolvimento é mais sensível a substâncias que atuam no sistema nervoso central, e os estudos de longo prazo ainda são escassos nessa faixa etária. Essa é uma razão concreta para cautela, não um argumento contra a pesquisa, mas um reconhecimento honesto do que ainda não sabemos.

A ANVISA regulamenta o acesso a produtos à base de cannabis no Brasil, incluindo para uso pediátrico, mas o processo exige prescrição médica e, na maioria dos casos, autorização específica. Mais informações sobre a regulamentação vigente estão disponíveis no portal da ANVISA.

Os efeitos adversos observados nos estudos, como sonolência, queda de apetite e ganho de peso, precisam ser monitorados de perto. Para uma criança em fase escolar, sonolência excessiva pode impactar o aprendizado e o desenvolvimento.

Como o IFPB pode ajudar

O IFPB acompanha associados e suas famílias no acesso responsável a tratamentos à base de cannabis, sempre com suporte de equipe especializada. Não substituímos o médico, mas ajudamos a entender o processo, a documentação necessária e os próximos passos.

Se você é pai, mãe ou cuidador de uma criança com TEA e quer saber se existe indicação e como seria esse acompanhamento, o ponto de partida é sempre uma conversa com um profissional de saúde qualificado. Veja como funciona o acompanhamento no IFPB, ou fale com a nossa equipe para tirar dúvidas sobre associação e acesso ao tratamento.


Este artigo tem finalidade educativa e não substitui avaliação médica. O uso de derivados de cannabis em crianças e adolescentes exige acompanhamento de médico especializado. Decisões terapêuticas devem sempre ser tomadas em conjunto com o profissional responsável pelo acompanhamento da criança.